segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

GALOTJVVVSS

I have loved you.
The sun rose
up. Lovers
rid fear away.

I do,
in fact, love
you. Cold steel like
a knife.

I will always love
you. Words, the malicious
blade tears through
my
chest.

And he is
gone. My heart
dangling round his
neck.

- Luã Áquila

sexta-feira, 24 de junho de 2016

branco

o (im)paciente está estável

blimp, blimp, bli, b;
despersonalização - "qual realidade é a coletiva?"

confusão.
lâmina.
vermelho, rosas vermelhas, vida - dilacerado, dilacerada

desrealização e epifania
procura.
encontro.

protect me from what i want

esbranquiçado
endless blue
disse: haja ilha no meio da tempestade

entrega

- branco, Luã Áquila

terça-feira, 14 de junho de 2016

visceral

visceral

morte.
lugar

um lugar.
estar e não ser.
nova velha geração zumbi.

desanimar
ter ânimo pra deprê
e constante
querer
vontades
de morrer

admirável mundo novo
odiável juventude vomitável

água morna
e, afogo-me na banheira.

-visceral, Luã Áquila

terça-feira, 29 de março de 2016

Α

Há.
Algo é.
Existe.

não Outro
o Eu sou
em mim
em nós
através

Uma rocha
que é rio
quimera intangível
 grandioso


Gratidão.
Eterna gratidão.

O maior ensinamento é que não cabe-me ser pretenser, emular, autolapidar.
De nós, basta receber. A fonte é inesgotável e digníssima, impalpavelmente mais.
- maior que sugere possibilidade de comparação.
e a maior possibilidade de excelência expressiva que nós, imagem e semelhança, poderíamos gabar...

Ai de mim!

Perdoe minha pretensão pois,
Queima urgência de declamar, gritar ao mundo.
Morto já sou. Sejas através de mim.
Faça-me o que quiseres de mim

Lindo és, pois estás acima de tudo e dá amor e dás liberdade que sana e que leva à tua benignidade

Julgue-me, abençoe-me. Rendo. Entrego.
Tú és, sempre foi e será

Visões se tornam claras
Coração do espírito puro
Poderosíssimo Eloim
Aba, Altíssimo

Suplico-lhe. Não mais direi Dê-me.
Perdão.

Faça-me
Eis me aqui

Ω

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Menina-zumbi

Valquíria era uma menina solitária. Vivia só, acompanhada de um grande amigo que ninguém via. Sempre que alguém a via, estava só.

Quando criança, não gostava de brincar com as meninas, não gostava de brincar com os meninos, temia os adultos. Somente o seu peculiar amigo a entendia. E então, aquela menina-zumbi foi crescendo acompanhada de seu grande amigo.

Sofria de insônia. Aliás, não era falta de sono o que sentia. Tinha medo de adormecer e, ao acordar, pensar-se viva. Era uma morta, sabia que era morta, andava como morta, agia como morta e a cada dia morria mais.

A morte nunca a incomodou. Afinal, morrer faz parte do processo da vida e a tristeza e melancolia são partes da nossa humanidade.

O grande amigo de Valquíria, certo dia, mudou-se para longe. O sol nasceu e a jovem moça floresceu nos encantos do amor e da vida.

Encontrou um rapaz, ou melhor, o rapaz a encontrou, roubou seu coração e mostrou a ela as coisas bonitas do mundo.

Logo ela viu a ilusão por trás do belo e a grandeza do mundo foi diminuindo. Sentia-se sozinha e sentia falta de seu amigo. Valquíria suplicava o retorno daquele que a entendia.

Tendo suportado o mundo tanto quanto conseguiu, a jovem moça não pôde mais. Abriu suas asas do décimo sexto andar e voo.

Voando, encontrou-se com seu grande amigo, a morte, e ao planar voou encontrou paz e soube-se estar no lugar devido.

E no outro mundo encontrou amigos, encontrou compreensão e nunca mais esteve só.

- Menina-zumbi, Luã Áquila.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Relojoeiro

A obsessão por janelas abertas despontou juntamente com o pavor de lidar com portas abertas. Portas devem permanecer fechadas! O tempo deve ser imóvel. A vida, em si, é dura, difícil. Mas quando imobilizamos o tempo, tudo é possível, tudo é suportável.

Por muito tempo, vinha policiando as portas constantemente. Afinal, a maresia estragava os móveis, a poeira entrava e a vida ia acontecendo. O medo do desconhecido, da vulnerabilidade perante a vida, tudo isso atormenta e nos coage a permanecer dentro de casa.

Observar, da janela da sala, a rua, com suas paisagens e pessoas transitando, sempre fora um hábito que tive. Geralmente, fazia isso só, acompanhado, por vezes, de uma xícara de café (que estava frio quando o bebia, pois, perdia-me observando o passar dos dias).

Tudo era leve, tudo era bonito, até mesmo quando era triste, era bonito. Tudo era seguro. Desde que, claro, as portas estivessem fechadas. Dessa forma, olhava para o mundo de uma distância confortável. Queria a brisa leve dos dias e não a ventania que acompanha um temporal.

Certo dia, perdido nas paisagens da vida, deparei-me com uma gaiola fixada na varanda de um apartamento do outro lado da rua, que dava de frente para minha janela. Dentro da gaiola havia um periquito, desses bem breguinhas que a gente costuma ver na casa das avós.

De repente, um vento forte planou violentamente na rua e a pequena gaiola caiu no chão, arrebentou-se e o periquito começou a voar. Em meu desespero, esqueci completamente do pavor de portas abertas e saí correndo de dentro de casa, deixando a porta largamente descerrada, e fui tentar resgatar o pequeno periquito. Não consegui.

Quando cheguei ao meio da rua escorreguei, caí, ralei os joelhos e os braços, quebrei os óculos, me feri. Ao retornar para casa, encontrei os móveis empoeirados, meus livros derrubados pelo vento e tive um sentimento de invasão.

Tive uma noite difícil e uma madrugada pior ainda.

No outro dia, após acordar, prontamente, fechei as janelas, abri a porta e saí, esperando ser pego, naquele dia, por um forte temporal.

- Relojoeiro, Luã Áquila.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Via da mão dupla

Quando muito novo, criança ainda, eu e minha família nos mudamos para os Estados Unidos. Passei grande parte da minha infância lá. Estudei, fiz amigos, criei laços (o tipo de laço que uma criança cria com aquilo que circunda seu universo infantil) e, um dia, retornei.

Quando você faz uma longa viagem ou muda-se para algum lugar, a recepção no retorno ao lar costuma ser grandiosa. As pessoas se mobilizam para te ver e ouvem suas experiências com atenção e bastante curiosidade (mesmo que você não queira falar delas).

É engraçado. Lembro-me de ouvir coisas, enquanto morava no exterior, do tipo “a gente sente muita saudade do nosso país né?”, “que saudade do Brasil!”, “que país estranho”, “aqui, as pessoas são muito frias”.

Recordo-me que sempre que nos juntávamos, nós, brasileiros, diziam-se essas coisas. Afinal, é muito complicado nascer em um lugar, ter sua identidade formada lá e migrar para outro. Quem te recebe está de braços abertos, desde que você se comprometa a adequar-se aos costumes dos hóspedes.

Quando me perguntavam (ou perguntam) sobre minha experiência no exterior, sinto-me coagido a expressar estranhamento com os costumes de lá.

Sou daqui e o que é diferente daqui é (ou deve ser) estranho, incomum, peculiar.

Acontece que, para mim, não foi bem assim. Devido à idade com que migrei do Brasil, não houve um sentimento de peixe fora d’água e, se houve, foi bastante insignificante e não compõe algo forte em minha memória. No retorno ao lar, sim. Quando retornei para cá tive um choque. Não diria que era um peixe fora d’água, mas um peixe fora do Planeta Terra, orbitando na atmosfera de Marte.

O sentimento de não pertencimento ao seu grupo de origem é estranho, desconfortável. Quando nos sentimos deslocados fora do nosso lugar de origem, por pior que seja, é esperado.

Houve uma ambivalência. Veja bem, retornei no início da pré-adolescência, uma fase onde buscamos a aceitação e damos os primeiros passos concretos no sentido de construir uma identidade que acreditamos ser individual, nossa.

Foi como uma bifurcação no meio da estrada. Mas eu, cabeça-dura do jeito que sou, insisti em pavimentar outra estrada, uma que estivesse entre os dois extremos.

E dessa forma eu continuei caminhando, procurando estar aberto ao novo, disposto a esquecer o velho (e a lembrá-lo também).

Assim, descobri que as pessoas têm muito em comum, independente da origem. Descobri que todos nós queremos sentir aceitação, pertencimento. Descobri que o nosso lar, a nossa casa, deve ser onde estamos hoje, com o reconhecimento de que só estamos aqui graças ao nosso passado, e que o passado sempre será uma parte de nós.

O importante mesmo foi entender que o sentimento de deslocamento (embora contribuído pelo cenário social) estava dentro de mim. A única coisa que podia fazer era continuar, e continuo.

E, dessa forma, eu sigo caminhando.

- Via da mão dupla, Luã Áquila.